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Sábado, 19 de Agosto de 2017

A METRÓPOLE COM JEITINHO DE INTERIOR

A VIAGEM PARA BELO HORIZONTE, NOVO DESTINO DA AVIANCA BRASIL, PERCORRE OS PASSEIOS MAIS FAMOSOS, ALÉM DOS QUE FOGEM DO ÓBVIO, EM UMA MISTURA DE ARQUITETURA, NATUREZA, ARTE E GASTRONOMIA.

Belo Horizonte é uma cidade com características de grande metrópole, com mais de dois milhões de pessoas, um vai e vem constante de carros e algumas das maiores empresas de tecnologia e inovação do país. Ao mesmo tempo, o charme que remete a uma cidadezinha de interior continua lá, atraindo turistas do mundo inteiro.

Mais conhecida como “BH”, a cidade é o maior pólo de arquitetura moderna do Brasil graças ao Conjunto Moderno da Pampulha, composto pelas obras-primas do arquiteto Oscar Niemeyer. O cartão-postal foi tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e fica em volta da Lagoa da Pampulha, que tem 18 quilômetros de extensão, cercada por uma pista para bikes e corredores. Mais afastada do centro da cidade, a região tem a calma de uma cidade do interior.

O projeto foi idealizado pelo então prefeito Juscelino Kubitschek, em 1940, para acelerar a economia na época, e resultou em construções que alteraram a trajetória da arquitetura brasileira. A primeira foi o Cassino, transformado no Museu de Arte da Pampulha depois da proibição de jogos de aposta no país. Em seguida, ergueu-se a Casa do Baile, onde os convidados podiam dançar, assistir a shows e jantar no restaurante. Hoje, a casa também perdeu seu propósito original e se tornou centro de referência em Urbanismo, Arquitetura e Design.

O Iate Golf Clube foi concebido em 1943 como um espaço de lazer aberto ao público, com piscinas, quadras esportivas e acesso à lagoa para esportes náuticos. O clube, cujo design lembra um navio atracado, foi privatizado em 1960 e as atividades na lagoa estão suspensas sem prazo para retorno. Por fim, a igreja dedicada a São Francisco de Assis, um dos maiores pontos turísticos da cidade, causou polêmica por sua arquitetura moderna, pioneira no Brasil.

O molde das igrejas tradicionais, com linhas retas e uma cruz no topo, foi totalmente modificado por Niemeyer, que se apropriou de curvas inspiradas na geografia montanhosa do estado e retirou a cruz e o altar. As cores e a decoração interna também foram ousadas, fazendo com que levasse um tempo para que a igreja fosse aceita como tal. As quatro construções também contam com paisagismo de Burle Marx e pinturas de Cândido Portinari, formando obras de arte ao ar livre, que são referências de arquitetura no país até hoje.

Conhecer o museu, sentar nas mesinhas da Casa do Baile e admirar a paisagem tranquila para a lagoa e para as obras do complexo estão entre os grandes atrativos do local. O Mineirão, um dos estádios mais tradicionais do futebol brasileiro e também famoso por ter recebido a goleada de 7x1 da Alemanha na Copa do Mundo, foi incorporado ao conjunto em 1965 e também faz parte do cenário encontrado por ali.

Os quilômetros necessários para contornar a lagoa podem ser feitos a pé ou de bike pela orla, de ônibus circular que parte da Estação Pampulha ou de jardineira Chevrolet de 1957. O último faz parte do Pampulha Retrô Tour, que é um passeio interessante, especialmente para turistas de primeira viagem, pois dá uma boa introdução da região, com paradas nas quatro construções e em alguns lugares que ficam no entorno, como a casa onde JK morou (hoje transformada em museu), o Parque Ecológico e a Fundação Zoo-Botânica. Motorista e guias vestem-se com roupas da época, como paletós, vestidos e óculos redondos, e fazem o circuito aos sábados, domingos e feriados.

Outro ícone arquitetônico fica no ponto mais alto de Belo Horizonte, na região de Funcionários. A Praça da Liberdade foi criada para abrigar o Palácio do Governo e as primeiras Secretarias de Estado, quando a cidade se tornou a capital de Minas Gerais, em 1987. Os prédios têm diferentes estilos de arquitetura, desde art déco até modernismo (como a obra de Niemeyer, inconfundível  pela semelhança com o edifício Copan de São Paulo), e pós modernismo, representado por um prédio que recebeu o apelido de “Rainha da Sucata” – não muito querido entre os belo-horizontinos por misturar muitos formatos e cores.

O jardim desse conjunto cultural foi inspirado no Palácio de Versalhes, da França, com fontes, chafarizes, gazebo, pista de corrida e palmeiras. Devido à sua importância para a arquitetura, o local foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). Os antigos prédios públicos hoje dão lugar a museus e espaços interativos, como o Memorial de Minas Gerais, o Museu das Minas e do Metal, Centro Cultural Banco do Brasil, cafeterias e restaurantes.

Outra praça famosa entre as 500 existentes na cidade é a Israel Pinheiro, localizada no alto do bairro das Mangabeiras e cercada pela Serra do Curral. João Paulo II esteve na região após realizar uma missa em 1980 e exaltou a paisagem de Belo Horizonte dali. Desde então, o local ficou conhecido como Praça do Papa, recebendo em sua homenagem o Monumento à Paz, composto por uma cruz e uma escultura de aço de 24 metros de altura do artista Ricardo Carvão.

BH PARA ALÉM DE NIEMEYER
Apesar de a região da Pampulha ser o principal cartão postal da cidade, outra atração foi aclamada símbolo da capital mineira. A Serra do Curral é protegida pelo Parque da Serra do Curral e emoldura a cidade com uma área aproximada de 400 mil metros quadrados, que inclui trilhas, praças e mirantes.

São dez mirantes no total, mas apenas os três primeiros estão abertos. O acesso é gratuito e não é necessário ser acompanhado por um guia. No entanto, as duas horas de subida entre Mata Atlântica e Cerrado restringem a trilha para os que têm bom condicionamento físico, o que já está em processo de mudança. A ideia dos proprietários do parque é criar uma via acessível para que qualquer pessoa tenha chance de apreciar a paisagem espetacular a quase 1.400 metros de altitude.

Lá de cima, é possível avistar todos os pontos principais de BH, como a Praça do Papa, as avenidas movimentadas, a Lagoa da Pampulha e o Mineirão, além de outras cidades ao redor. Para facilitar o reconhecimento, mapas estão espalhados nos mirantes com a localização exata de cada um dos pontos. A paisagem fica ainda mais bonita durante o entardecer, quando a luz baixa dá novos contornos à cidade, que se divide entre o cinza dos prédios e o verde das tantas árvores.

Outro ótimo lugar para assistir ao pôr do sol é o Mirante das Mangabeiras, bem próximo à Serra. Você pode chegar à entrada de carro e andar até os dois decks de madeira, de onde se descortina a mesma vista panorâmica para a cidade, mas de uma altura um pouco menor, a 1.170 metros. Considerado área de preservação ambiental, o espaço tem bancos, corredor acessível, esculturas e árvores. Os horários de funcionamento variam, portanto é bom checar antes de programar seu passeio (www.pbh.gov.br/parques).

O mirante faz parte do Parque das Mangabeiras, embora não tenha ligação de um para o outro. O parque é um dos maiores e mais emblemáticos entre os 70 existentes na cidade e oferece uma imensa área de lazer, onde as pessoas passeiam, andam de skate nas rampas, fazem trilhas que levam a quedas d'água e tiram fotos dos lagos, rios e construções que têm paisagismo assinado por Burle Marx.

INSTITUTO INHOTIM
Embora não faça parte de Belo Horizonte, o Instituto Inhotim também figura como um dos grandes atrativos na região, famoso quando se fala em arte moderna. Localizado a 60 quilômetros de distância, na cidade de Brumadinho, a melhor forma de chegar lá é de carro pela rodovia Fernão Dias, que passa por Contagem e Betim.

Inaugurado em 2006, o Instituto, também chamado de parque, é um centro de arte contemporânea e jardim botânico que conta com um importante acervo de artistas do mundo inteiro. São mais de 700 obras de arte espalhadas por uma área de 140 hectares, entre lagos, árvores, jardins e coleções botânicas, que muitas vezes fazem parte das galerias ou dos pavilhões.

O parque é um museu que foge do que se vê mundo afora. A ideia é fazer com que o visitante esteja sempre em contato com a natureza para que uma obra nunca atrapalhe a outra – ou para que ele não se canse com tanta informação. Assim, o verde funciona como uma borracha, deixando a mente limpa para absorver o conteúdo da próxima exibição.

Para transitar por lá, o visitante pode alugar um carrinho de golfe com motorista ou se aventurar a pé, unindo uma boa caminhada ao passeio que leva dois dias para que todos os atrativos do parque sejam aproveitados. Isso sem precisar sair para comer, pois há dois restaurantes lá dentro, o Tamboril e o Oiticica, e dois cafés, Café das Flores e Café do Teatro.

FORA DA CAIXA
A primeira fazenda urbana da América Latina está instalada dentro de um shopping em Belo Horizonte. A BeGreen foi inaugurada em maio de 2017 e, segundo Pedro Graziano, um dos fundadores do projeto, tem como objetivo reconectar as pessoas com a origem e a qualidade do alimento. A produção de hortaliças sem nenhum tipo de agrotóxicos é feita dentro de uma estufa e a visita custa R$ 10. O espaço também conta com lojinha, restaurante e espaço ao ar livre.
Boulevard Shopping – 2º piso – Santa Efgênia
www.begreen.farm

DA MESA DO RESTAURANTE À MESA DO “BUTECO”
Com o título de melhor pão de queijo do mundo, o estado de Minas Gerais é muito conhecido pela boa gastronomia, composta por queijo mineiro, café e ingredientes simples que formam uma culinária única e deliciosa. Essa fama é confirmada em BH, que, além de apresentar restaurantes típicos mineiros, oferece opções variadas para todos os paladares.

Outra popularidade vem das mesas de “buteco” – sim, com u, como os mineiros chamam seus bares. Dizem que os paulistas e os cariocas bebem bem, mas nada comparado ao belo-horizontino, que faz do bar uma rotina frequente. Isso deu origem ao famoso concurso “Comida Di Buteco”, que elege os melhores bares de mais de 20 regiões do Brasil. Não à toa, a cidade é considerada a “Capital Nacional dos Botecos”. É a combinação perfeita para terminar o dia.

ESPAÇO CULTURAL TAMBOR MINEIRO
Maurício Tizumba, um dos artistas mais populares de Minas Gerais, oferece aulas de tambor mineiro no seu espaço cultural. É uma boa chance de entrar em contato com a cultura afro-mineira e assistir a apresentações que misturam música, teatro e dança.
Rua Ituiutaba, 339 – Prado
www.facebook.com/associacaotambormineiro

ONDE FICAR

ROYAL SAVASSI BOUTIQUE HOTEL
O hotel 4 estrelas fica no bairro de Savassi, próximo aos principais pontos da cidade e a apenas três quarteirões da avenida Afonso Pena. O estabelecimento conta com 84 apartamentos com vista, wi-fi gratuito, academia, centro de convenções, sauna, jacuzzi e restaurante, onde é servido o café da manhã incluso na diária. Também muito bem localizados estão dois outros hotéis da rede, Royal Convention e Royal Express.
Rua Alagoas, 699 – Savassi
www.royalhoteis.com.br

ONDE COMER

VILLA EMPORIUM ARMAZÉM MINEIRO
O tradicional restaurante mineiro localizado na Afonso Pena tem arquitetura digna do nome
“Villa”, com a entrada que lembra uma vilinha europeia. O almoço é self-service (R$ 34,90
o quilo ou R$ 39,90 à vontade) e o jantar é à la carte. Não deixe de provar o pudim de doce
de leite ou o queijo mineiro com goiabada para sobremesa.
Av. Afonso Pena, 4034 - Mangabeiras
www.restauranteemporium.com.br

RESTAURANTE PALADINO
O restaurante-fazenda tipicamente mineiro fica na região da Pampulha e possui, além de restaurante, espaço kids, horta, lagoas, trilhas, animais de fazenda e lojinha para comprar queijos e outros produtos da roça. Uma boa pedida é o Mexido Belisário (R$ 88) ou a Moqueca da Terra (R$ 152), que servem de três a quatro pessoas.
Av. Gildo Macedo Lacerda, 300 – Braúnas
www.restaurantepaladino.com.br

SOU CAFÉ
Situado no CCBB, na Praça da Liberdade, o “Sou Café” oferece saladas, carnes, frangos, massas e lanchinhos rápidos. A decoração interna é formada por guarda chuvas coloridos, e a fachada conta com a arquitetura incrível do Centro Cultural.
Praça da Liberdade, 450 – Funcionários
www.soucafe.com.br

FOTOS · FLAVIO TERRA

Guiomar Barbuto
Guiomar Barbuto
Jornalista

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